Por Daniele Gonçalves Pompeu de Camargo e Flávio Felix

Nos transtornos de ansiedade, o tema central é a vulnerabilidade. Ela advém da tendência que o indivíduo tem a superestimar os perigos e riscos e subestimar os recursos de enfrentamento. Os pensamentos de uma pessoa com ansiedade refletem um sentido exagerado de ameaça ou perigo sem nenhuma evidência real que de fato vão acontecer, como, por exemplo, “e se eu não conseguir aquele emprego?”, “e se eu passar mal?”, “e se me faltar o ar?”, “e se eu morrer?”.

Os indivíduos ansiosos acreditam que estão efetivamente sob ameaça de dano psicológico, físico ou social. Importante enfatizar que o elemento determinante da experiencia de ansiedade não é o evento em si e o valor real de ameaça ou perigo contido pelo evento, mas a representação do evento pelo sujeito.

As crenças associadas à experiencia de ansiedade podem ter sido úteis em algum momento da vida, mas com o passar do tempo, tornaram-se problemáticas devido ao fato de perderem a flexibilidade diante da realidade vivida. Exemplos desses tipos de crenças são: “é importante ficar calmo o tempo todo”, “se eu não me controlar corro o risco de perder o controle”, “se eu for rejeitado, sofrerei muito e meu sofrimento nunca acabará”.

Dentro do processo de tratamento é explicado ao paciente como que a ansiedade se instala e o motivo pelo qual alguns sintomas fisiológicos (taquicardia, alteração respiratória, aumento da pressão arterial, tontura, entre outros)são desencadeados. Além disso, são utilizadas técnicas de questionamento para auxiliar o paciente a manter o risco dentro de uma perspectiva real, já que situações de risco e ameaça de fato podem acontecer (não necessariamente na frequência e intensidade com o que o ansioso contempla). Ao final, busca-se a elaboração de estratégias de enfrentamento, tais como respiração diafragmática, deslocamento de atenção e habilidade de resolução de problemas.

Fonte: Revista psique, edição especial no 3, 2007, pgs 20-23, São Paulo – SP

Por Flávio Felix e Daniele Gonçalves

As crenças são cognições que se configuram como regras de vida e são mantidas para dar “sentido” às experiências. Elas organizam a nossa forma de ver o mundo e definem a interpretação dos acontecimentos na nossa vida.

Se desenvolvem desde a infância e estão relacionadas ao que a pessoa acredita e pensa sobre si mesma, os outros e o mundo que a circunda. Normalmente são inquestionáveis e podem ser consideradas como irracionais (distorcidas) ou racionais (preferência saudável).

As crenças irracionais possuem as seguintes características:

  • demandantes, rígidas, absolutas e inflexíveis
  • são conclusões que não estão derivadas da lógica
  • não estão baseadas na realidade ou incluem uma visão distorcida dela
  • interferem nos objetivos pessoais e levam a resultados indesejados
  • geram emoções não saudáveis

Essa forma de interpretar os eventos desencadeia expectativas que não são realistas e prejudica a organização do indivíduo em termos emocionais e o relacionamento com o outro e com o mundo.

Já as crenças racionais incluem um modo de funcionamento considerado mais saudável e possui as seguintes características:

  • são flexíveis
  • seguem a lógica em suas premissas
  • são consistentes com a realidade
  • ajudam a conseguir os objetivos pessoais e resultados desejados
  • geram emoções saudáveis e auxiliam o indivíduo a lidar e enfrentar os eventos adversos

Tendo em vista essas características, pode-se concluir que quanto maior o número, a frequência e a manutenção das crenças irracionais, maior serão os prejuízos no funcionamento e nas relações do indivíduo.

Para transformar as crenças irracionais em racionais, é necessário manter um debate cognitivo baseado em evidências e fatos da realidade. Essa nova forma de atribuição vai trazer mudanças no funcionamento e nas relações interpessoais.

Fonte: Apostila do curso de certificação em terapia racional emotiva comportamental – Primary Practicum in REBT\CBT, 2018, São Paulo – SP.

Por Flávio Felix e Daniele Gonçalves

Na psicologia existem centenas de abordagens e dentre essas temos a terapia cognitivo-comportamental (TCC). A TCC propõe que diante das situações que ocorrem na nossa vida, nós primeiramente as interpretamos e essas interpretações surgem na nossa consciência na forma de pensamentos. A partir dos pensamentos são desencadeadas as emoções e por fim são manifestados os comportamentos.

Tendo isso em vista, podemos então dizer que não são as situações em si que causam a dor e o desconforto emocional, mas sim, a forma como interpretamos essas situações dentro do nosso contexto de vida. De acordo com essa abordagem, as atribuições que fazemos devem ser baseadas em evidências e fatos concretos (na medida do possível).

Quando essas interpretações não são baseadas em evidências e causam sofrimento ao indivíduo, podemos então estar diante das chamadas distorções cognitivas.

As distorções cognitivas podem gerar emoções negativas, tais como tristeza, ansiedade e raiva. Como mostra a figura acima, uma mesma situação (amigo que passa e não cumprimenta) pode gerar diferentes interpretações, emoções e comportamentos. Seguindo a perspectiva colocada de que os pensamentos devem sempre ser baseados em evidências, como não houve nenhum problema anterior na relação com o amigo, aparentemente a atribuição mais realista é a de que o amigo não o viu e por isso não o cumprimentou. Esse tipo de interpretação tende a evitar sofrimento e a manifestação de comportamentos que podem prejudicar o relacionamento interpessoal. Dessa forma, cuidado com os seus pensamentos!

Fonte:Beck JS. Terapia cognitivo-comportamental: teoria e prática. Porto Alegre: Artmed, 2013.

Serra AM. Estudo da terapia cognitiva: um novo conceito em psicoterapia. Revista Psicologia Brasil, 2006.

Consulte-nos!

 

 

Por Flávio Felix e Daniele Gonçalves

Sabemos que em virtude da pandemia que vivemos no Brasil desde 2020 as atividades coletivas foram suspensas e dentre elas a escola. Parte das escolas, no entanto, ofereceu formas alternativas de manter aulas (on-line por meio de vídeo aulas e plataformas de reuniões de grupo) com objetivo de não perder o ano letivo e atrasar a criança. Mas por que será que esse modelo gerou tantas dificuldades dentre várias famílias?

Para falarmos do assunto, vale a pena entendermos sobre a aquisição dos saberes. Aprendemos por meio de experiências ativas, e isso inclui principalmente as crianças e adolescentes. Não é simplesmente instruir e dizer o que se deve fazer, mas incentivá-lo a participar desse processo. A construção do conhecimento se dá por meio do raciocínio, que constrói o sentido a partir de tal informação que será processada. Então, o saber se dá por um processo e não por um produto.

Alguns teóricos como Jean Piaget, Lev Vigotsky e Bruner trazem explicações sobre o processo de desenvolvimento e amadurecimento do pensamento da criança inicialmente por estágios e através da experiência e com a evolução entre os teóricos, constroem a compreensão do papel da atividade social, que permite estimular a pessoa a participar do processo.

Pensando nisso, podemos afirmar que apesar do nosso modelo educacional necessitar de vários ajustes, ainda assim cumpre parte desse papel somente por ser feito no coletivo e provavelmente esse estímulo fez falta no processo de aquisição do conhecimento e podemos nos arriscar a concluir que essa é a busca que tem gerado tanta ansiedade dentre crianças, adolescentes e familiares.

Fonte: O livro da Psicologia, Globo Livros, 2012.

 

 

Por Flávio Felix e Daniele Gonçalves

Você já parou para pensar sobre as competências do seu terapeuta ou de um terapeuta que está inclinado a contratar?

Este é um item que está diretamente ligado aos resultados da psicoterapia, não isoladamente, mas em conjunto com outros.

O Código de Ética Profissional dos Psicólogos orienta a prestação de serviços de qualidade, baseada em princípios, conhecimentos e técnicas da ciência psicológica como dever fundamental do psicólogo.

A competência pode ser compreendida como um conjunto de conhecimentos (informação), habilidades (técnica e capacidade) e atitudes (fazer e disposição). Um psicoterapeuta competente reúne treino de habilidades específicas à construção de uma identidade profissional (teoria e prática).

Na nossa clínica, investimos nas competências de nossos terapeutas através de suas formações (graduação, pós-graduações, cursos de extensão, congressos, eventos e grupos de estudos), supervisão clínica, atualização por livros e artigos científicos e tempo de atuação.

Ao contratar um profissional, vale a pena conhecer sobre suas competências para saber se atenderá suas necessidades de psicoterapia.

Entre em contato conosco!

Fonte: Artigo Competências do psicoterapeuta cognitivo-comportamental, de Sâmid Danielle Costa de Oliveira Alves, Revista Psicologia em Foco, volume 8, número 12, páginas 51-56, 2016.

 

Terapia cognitivo comportamental - Ciclos de manutenção em

Por Flávio Felix e Daniele Gonçalves

Os ciclos de manutenção são distorções geradas pelas crenças ou regras que a pessoa adquiriu ao longo da vida e que constroem estratégias que funcionam de modo ineficazes, mas aparentemente eficazes ao olhar do paciente.

Essas estratégias colaboram para a manutenção do problema dentro de um “círculo vicioso”ou ciclo de manutenção como chamamos aqui, ao invés de resolver. Vale ressaltar que existem ciclos específicos a cada transtorno, que poderemos discutir separadamente para compreender as particularidades.

O importante aqui é compreendermos o funcionamento geral de um ciclo de manutenção e identificar os ciclos mais comuns: redução das atividades, ruminação de problemas, redução da estratégia de enfrentamento, perfeccionismo, esquiva.

Um dos papéis da psicoterapia cognitivo comportamental é de identificar ciclos de manutenção e interferir através da construção de estratégias de resolução de problemas que “quebrem” esses ciclos mantenedores dos problemas do paciente.

Você se identifica com algum desses ciclos?

Entre em contato conosco!

Referência: Nicoletti, E. A. & Donadon, M. F. (org.) Ciclos de Manutenção em terapia cognitivo-comportamental: formulação de caso, plano de tratamento e intervenções específicas. Novo Hamburgo, Sinopsys, 2019.

Por Flávio Felix e Daniele Gonçalves

Se em algum momento da sua vida você teve dificuldade de realizar alguma atividade ao ponto inclusive de estabelecer uma batalha de auto convencimento para que ela fosse executada,  então certamente você experimentou um episódio de procrastinação.

Um procrastinador típico apresenta uma desorganização na realização das tarefas relacionadas à

A manutenção desse comportamento irá gerar uma diminuição das suas realizações e por consequência,  um sentimento de culpa e de violação de seus valores de vida, tais como responsabilidade e comprometimento.

A repetição desse ciclo por um período extenso de tempo poderá levar à diminuição da autoeficácia, dos níveis de energia e gerar sintomas de ansiedade e depressão.

s obrigações e acaba sendo envolto por atividades pouco produtivas  para aquele momento  tais como assistir TV, ver redes sociais,  jogar videogame, entre outros.

Caso esteja passando por procrastinação ou outra dificuldade,  entre em contato com a nossa clínica!

Procrastinação

 

Preocupação

Por Flávio Felix e Daniele Gonçalves

Viver em um mundo isento de preocupações é o que muitas pessoas idealizam como mundo ideal. Infelizmente elas estão presentes em grande parte dos cenários da nossa vida, tanto em aspectos saudáveis como patológicos.

As preocupações são aspectos centrais de todos os transtornos de ansiedade e depressão. Elas muitas vezes se apresentam tão arraigadas na vida do indivíduo que às vezes nem parece ser um problema – “sou apenas uma pessoa preocupada”, “sempre fui preocupada e serei assim para sempre”.

Muitos acreditam que a preocupação ajuda a proteger e evitar que o pior aconteça. A manutenção dessa ideia pode gerar um comportamento de vigilância excessiva e por consequência uma elevação dos níveis de ansiedade. Segue abaixo outros motivos pelos quais muitos indivíduos mantêm preocupações que podem gerar bastante desconforto emocional.

  1. Crença de que o mundo é perigoso e que não consegue lidar com ele: Coisas horríveis estão prestes a acontecer e preocupar-se irá impedir que de fato aconteçam. As pessoas preocupadas ficam com as antenas ligadas em busca de ameaças e veem perigo, mesmo quando não existe.
  2. A preocupação proporciona a ilusão do controle: Por sentir que os acontecimentos estão fora de controle a pessoa começa a se preocupar como estratégia de resgate ao controle da situação. – “o que pode dar errado e como posso controlar isso? ”. Essa estratégia se nomeia como comportamento de segurança. A preocupação é utilizada como forma de ganhar o controle da situação e uma vez que o “pior” não aconteceu (devido a estratégia utilizada) se reforça a ideia de que a preocupação impediu o resultado ruim.
  3. A preocupação é uma forma de reduzir a incerteza: Pessoas preocupadas não toleram a incerteza. Devido a isso há uma busca incessante por informações para se diminuir as incertezas presentes. O problema é que nesse processo de coleta, grande parte das informações pendem para o negativo e trazem bastante desconforto emocional.

Apesar desses aspectos negativos, é importante ressaltar que a preocupação faz parte da vida e, além disso, pode ser útil e vital. Ela nos avisa de um perigo iminente e nos motiva para a preparação em compromissos importantes (se preparar para uma entrevista de trabalho). No entanto, nem todas as preocupações levam à resultados positivos. Ela pode se desenvolver dentro de um contexto de pressão e estresse gerando sentimentos excessivos e persistentes de apreensão, tensão e nervosismo. Desta forma, cuidado com as preocupações, nem sempre elas são sinais de precaução!

Caso esteja sofrendo as consequências das preocupações excessivas, entre em contato com a nossa clínica!

Fonte: Como lidar com as preocupações. Robert L. Leahy, Artmed, Porto Alegre, 2007

 

 

Psicoterapia online, você sabe como funciona?

Por Flávio Felix e Daniele Gonçalves

Atualmente, em decorrência da pandemia, essa metodologia de atendimento tem ficado popularizada dentre as várias áreas da saúde e até mesmo em outras. O que talvez nem todos saibam é que a psicologia já é pioneira nessa forma de atender, já com alguns anos de prática.

Não é incomum que ao buscar um psicólogo, a pessoa peça indicação a algum amigo, familiar ou outro profissional. Mas nem sempre a localização física estará em acordo com as necessidades de ambos. Exemplo disso são os brasileiros que residem no exterior e que nem sempre encontram psicólogos brasileiros que estejam atuando naquele local. Claro que não é algo restrito a esse público, podendo ser feita a opção do online por preferência apenas.

No entanto, o caminho para se chegar até aqui não foi fácil e houve muita preocupação nesse processo.  Nessa perspectiva, podemos ressaltar dois momentos importantes para o Conselho Federal de Psicologia (CFP). O primeiro foi em 2012 com a Resolução 11/2012 que previa números limitados de atendimentos que poderiam ser realizados em caráter experimental por meio de tecnologias da informação. Nesta fase, esses atendimentos não se caracterizavam como psicoterapia online. O segundo momento foi em 2018 com a Resolução 11/2018, que regulamentou a prestação de serviços psicológicos por meio de tecnologias da informação, e então a psicoterapia online foi instituída como prática prevista pelos psicólogos.

Na prática, os atendimentos nessa modalidade funcionam muito semelhantes ao presencial, sendo utilizada a mesma metodologia e ferramentas. Não existe limite de número de sessões e o profissional deve ser previamente cadastrado no Conselho Federal de Psicologia para prestar atendimento nessa modalidade.

Podem ser atendidos crianças e adolescentes com consentimento de um dos responsáveis e adultos em geral. Existem situações especificas em que essa prática é vetada, tais como situações de urgência, emergência, violação de direitos ou violência. Nesses casos é orientado o atendimento presencial.

Aqui na Clínica CrêSer, seguimos todas as recomendações e temos os profissionais devidamente cadastrados no site do CFP, o que permite uma prestação adequada e alcance dos resultados esperados. Se você tem interesse em conhecer mais sobre o tema, marque sua consulta com um de nossos profissionais.

Fontes: cfp.org.br

https://site.cfp.org.br/

site.cfp.org.br