A avaliação neuropsicológica é sugerida quando há algum prejuízo ou uma mudança cognitiva, afetiva e/ou social. Nesse caso, quando os recursos cognitivos, como a atenção e a memória, por exemplo (entre outros), não são suficientes para o indivíduo manejar sua vida acadêmica, profissional ou social, como no caso dos transtornos do neurodesenvolvimento, como o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e os Distúrbios da Aprendizagem.

Além disso, em casos que há algum dano no sistema nervoso central, como no Traumatismo Cranioencefálico, na Epilepsia, nos Acidentes Vasculares Cerebrais (AVCs) e no Transtorno Neurocognitivo Maior (antigamente denominado como demência) também há indicação. A avaliação, nessas situações, fornece os parâmetros necessários para as comparações do padrão cognitivo e comportamental do paciente de tempos em tempos, bem como controla as respostas às medicações.

Percebe-se, desse modo, a importância da neuropsicologia para o diagnóstico e acompanhamento do tratamento, e entendimento e manejo de diversos quadros, como os transtornos do neurodesenvolvimento, os quadros neurológicos, as manifestações psiquiátricas e mesmo as doenças, anteriormente citadas, que afetam o sistema nervoso central (SNC).

Fonte: Fuentes, D. et al. Neuropsicologia: teoria e prática. Porto Alegre: Artmed, 2014.

 

 

 

A neuropsicologia é a área que estuda as relações entre o sistema nervoso central, o funcionamento cognitivo e o comportamento. Para investigar tal relação, utiliza-se, no contexto clínico, a avaliação neuropsicológica, cujos objetivos são: investigar a natureza e o grau de alterações cognitivas e comportamentais; monitorar a evolução de quadros neurológicos e psiquiátricos, bem como tratamentos medicamentosos e cirúrgicos e planejar e monitorar programas de reabilitação para as alterações encontradas.  Nesse sentido, a avaliação neuropsicológica se divide em três partes, que são:

1) Entrevista clínica: na qual o profissional obtém informações sobre o quadro atual, alterações cognitivas e comportamentais e o impacto destas nas atividades de vida diária do indivíduo. Também, antecedentes pessoais e familiares são importantes;

2) Aplicação de instrumentos: nessa etapa são utilizadas escalas e testes padronizados a fim de estabelecer o perfil neuropsicológico do avaliando;

3) Laudo e devolutiva: a partir da história e observação clínica, somado as informações quantitativas mostradas pelos testes, constrói-se o raciocínio clínico a respeito da conclusão diagnóstica. A partir dos achados será possível, então, estabelecer a orientação, tratamento e/ou planejamento da reabilitação cognitiva.

Embora a neuropsicologia tenha sido reconhecida pelo Conselho Federal de Psicologia como especialidade, ela é uma área da neurociências, multidisciplinar e tem interface e complementariedade com campos como a neurologia, psiquiatria, geriatria, fonoaudiologia e pedagogia.

 

Fonte: Miotto, E.C. et al. Neuropsicologia Clínica. Rio de Janeiro: Roca, 2017.

 

As distorções cognitivas são caracterizadas como interpretações enviesadas da realidade. Não são baseadas em evidências e geram inúmeras consequências emocionais e comportamentais negativas.  Pessoas que sofrem de depressão e ansiedade, têm uma visão da realidade na qual as distorções cognitivas exercem um papel predominante no funcionamento cognitivo.

Importante ressaltar que todos nós apresentamos algum nível de distorções cognitivas e não necessariamente isso representa um problema de saúde mental. No entanto, a partir do momento que a presença desse processamento cognitivo enviesado começa a comprometer o nosso funcionamento emocional e as nossas relações interpessoais, então talvez seja o momento de buscar ajuda psicoterapêutica. Saber identifica-las nos ajuda a ter uma visão mais realista dos fatos e aumenta a nossa capacidade de resolução de problemas.

Fonte: Serra AM. Estudo da terapia cognitiva: um novo conceito em psicoterapia. Revista Psicologia Brasil, 2006.

  1. A ausência de atividades de lazer prazerosas pode ser um grande problema.
  2. Pesquisas indicam que quanto maior o número de atividades prazerosas que a pessoa estiver envolvida, maior será a incidência de sentimentos positivos.
  3. Algumas pessoas passam muito tempo envolvidas em atividades que precisam ser cumpridas ou obrigatórias, mas não necessariamente prazerosas (trabalho, tarefas domésticas, etc.), ou seja, “eu preciso fazer” e não “eu quero fazer”. Uma opção melhor é encontrar uma forma equilibrada entre os deveres e os prazeres.

 

Como criar atividades prazerosas

 

  • Crie um menu de atividades prazerosas. Coloque no papel absolutamente tudo o que lhe vier à mente, por mais absurdo que possa parecer. Depois, selecione aquelas que são agradáveis para você. Algumas das atividades que você selecionar poderão ser coisas que costumava fazer para se divertir e outras que gostaria de fazer.
  • Desenvolva um “plano de atividades prazerosas”. Reserve um pequeno período de tempo diário para elas (cerca de 30 a 60 minutos). Busque refletir no dia o que de fato você “quer” fazer, para que a atividade não se torne mais uma obrigação.

 

Cuidados a serem tomados

(a)       Comprometa-se com seu planejamento;

(b)       Lembre que um estilo de vida “equilibrado” não significa um número exatamente igual para deveres e prazeres. “Equilibrado” refere-se ao grau de satisfação com o próprio dia-a-dia;

(c)        Preveja os problemas que poderão interferir em seus planos;

(d)       Esteja certo de que as atividades escolhidas são de fato prazerosas.

A neuropsicologia é a área que estuda as relações entre o sistema nervoso central, o funcionamento cognitivo e o comportamento. Para investigar tal relação, utiliza-se, no contexto clínico, a avaliação neuropsicológica, cujos objetivos são: investigar a natureza e o grau de alterações cognitivas e comportamentais; monitorar a evolução de quadros neurológicos e psiquiátricos, bem como tratamentos medicamentosos e cirúrgicos e planejar e monitorar programas de reabilitação para as alterações encontradas.  Nesse sentido, a avaliação neuropsicológica se divide em três partes, que são:

1) Entrevista clínica: na qual o profissional obtém informações sobre o quadro atual, alterações cognitivas e comportamentais e o impacto destas nas atividades de vida diária do indivíduo. Também, antecedentes pessoais e familiares são importantes;

2) Aplicação de instrumentos: nessa etapa são utilizadas escalas e testes padronizados a fim de estabelecer o perfil neuropsicológico do avaliando;

3) Laudo e devolutiva: a partir da história e observação clínica, somado as informações quantitativas mostradas pelos testes, constrói-se o raciocínio clínico a respeito da conclusão diagnóstica. A partir dos achados será possível, então, estabelecer a orientação, tratamento e/ou planejamento da reabilitação cognitiva.

Embora a neuropsicologia tenha sido reconhecida pelo Conselho Federal de Psicologia como especialidade, ela é uma área da neurociências, multidisciplinar e tem interface e complementariedade com campos como a neurologia, psiquiatria, geriatria, fonoaudiologia e pedagogia.

 

Fonte: Miotto, E.C. et al. Neuropsicologia Clínica. Rio de Janeiro: Roca, 2017.

00Raiva é uma emoção que faz parte do humano e do nosso funcionamento. Senti-la é algo perfeitamente normal e inclusive podemos experimentá-la em diversos momentos em um único dia. A raiva em si não é boa e nem ruim, depende da forma como a manejamos. Sendo assim, podemos dizer que ela possui efeitos construtivos e destrutivos

 

Efeitos destrutivos:

  • Confusão mental, impulsividade e pobreza de decisões;
  • Estimula a agressividade nos outros;

 

Efeitos construtivos:

  • A raiva sinaliza uma situação problemática que nos move à resolução;
  • Uma resposta adequada (assertiva) à raiva aumenta nossa força pessoal. Ajuda a comunicar nossos sentimentos negativos e evita futuros desentendimentos;

 

Como lidar com a raiva de forma construtiva:

 

  • É importante identificar a raiva assim que ela se apresenta. NUNCA deixe-a tomar uma proporção maior. Alguns sentimentos e reações físicas, sinalizam a presença da raiva, tais como, irritabilidade, ansiedade, tensão muscular, dores de cabeça, taquicardia, sudoreses e ritmo respiratório acelerado,

 

  • Tente relaxar! Manter-se calmo aumenta sua habilidade de controlar seu próprio comportamento e a situação. Eis algumas frases que você pode usar para se manter calmo:

 

– RELAXE…..

– VÁ COM CALMA…..

– RESPIRE FUNDO…..

– CONTE ATÉ DEZ….

– DEVAGAR….

– NÓS VAMOS CUIDAR DISSO, MAS COM CALMA….

 

  • Já calmo, pense sobre a situação da seguinte maneira:

 

– Meu pensamento a respeito dessa situação ou pessoa á verdadeiro?

– O que está me deixando com raiva?

– Será que não estou com raiva porque estou esperando muito de mim mesmo ou alguém?

 

  • Depois de avaliar o que o está deixando com raiva, pense sobre suas opções da seguinte maneira:

 

– O que é melhor pra mim aqui? Qual minha meta nesta situação?

– Ficar com raiva me ajuda ou atrapalha?

– Existe algum problema que precisa ser resolvido?

Posso resolvê-lo? Se sim, como? (implemente a solução). Não posso resolvê-lo, posso então diminuí-lo?

– Se não puder diminuir o problema então pense o seguinte: Não podemos resolver todos os problemas, principalmente os problemas cujas resoluções necessitem de outras pessoas. Também precisamos aprender a nos adaptar e conviver com problemas de forma a nos causar o mínimo prejuízo possível.

Muitas pesquisas apontam que pessoas que possuem transtornos de ansiedade ou de depressão são maus solucionadores de problemas. A manutenção de pensamentos negativos e de comportamentos desadaptativos contribuem para o aumento dessa dificuldade.

A terapia cognitivo-comportamental possui ferramentas que auxiliam no desenvolvimento de habilidades de solução de problemas. Uma das estratégias adotadas é o passo-a-passo descrito abaixo:

  1. Defina o problema de forma específica
  2. A partir do problema, estabeleça uma meta
  3. Desenvolva estratégias alternativas de solução (sempre mais de uma estratégia)
  4. Selecione uma estratégia
  5. Implemente a estratégia selecionada
  6. Monitore os resultados

Caso o problema não seja resolvido, retorne ao item 2 e repita o passo-a-passo.

Quanto maior a capacidade de solução de problemas, maior será a funcionalidade do indivíduo e de suas relações em termos cognitivos, emocionais e comportamentais.

Fonte: Serra AM, Estudo da terapia cognitiva: um novo conceito em psicoterapia, 2006.26

Metas de Psicoterapia

  • Uma boa psicoterapia costuma ser organizada e planejada. Uma das formas de fazer isso é construindo metas.
  • Elas são organizadas a partir das dificuldades ou problemas identificados em conjunto e decidido (paciente e terapeuta) como trabalhar para alcançá-las.
  • A ferramenta SMART (acrônimo proposto por Peter Drucker, 1967) é amplamente utilizada em TCC e ajuda a construir metas que façam sentido e produzam resultados para o paciente.

 

Ferramenta SMART

 

S – Specific

  • Obtenha metas específicas que deixem claro exatamente o que busca alcançar.

 

M – Mensurable

  • Seja capaz de mensurar suas metas, ou seja, medir o alcance.

 

A – Attainable

  • Estabeleça metas alcançáveis, a partir de seu contexto.

 

R – Relevant

  • Escolha metas relevantes e realistas. Precisa ser relevante para você e fazer jus à sua realidade individual.

 

T – Time based

  • Identifique metas realizáveis em um tempo passível. É mais viável estabelecer metas menores, mas alcançáveis em curto e médio prazo, que metas de longo prazo. Mas para ambas, é preciso estabelecer o tempo de realizar para acompanhar, avaliar a eficácia e até mesmo mudar a meta.

 

 

Gostou dessa ferramenta? Experimente colocá-la em prática.

Conte conosco para ajudar.

 

 

 

Fonte: Livro Ciclos de Manutenção em Terapia Cognitivo Comportamental, de Êdela A. Nicoletti e Mariana F. Donadon (Org.), Editora Sinopsys, Novo Hamburgo, 2019.

Grande parte das pessoas já se sentiram deprimidas em algum período da vida. Esse estado de humor mais rebaixado é uma condição comum e presente em nosso cotidiano e não necessariamente precisa de uma intervenção psicoterápica ou psiquiátrica. No entanto, infelizmente em alguns casos não é apenas uma questão pontual e de curto período, mas sim uma patologia altamente debilitante para a pessoa e os que convivem com ela.

A depressão está dentro do grupo de Transtornos de Humor. Eles são caracterizados por manifestações afetivas inadequadas em intensidade, frequência e duração. Podem ser recorrentes e incapacitantes, gerando prejuízos à vida da pessoa.

Dentre os sintomas, podemos destacar: sentimentos de tristeza, angústia e desesperança, baixa autoestima, incapacidade de sentir prazer, ideias de culpa, ruína e desvalia, visões pessimistas do futuro e pensamentos recorrentes sobre morte. Alterações de sono, de apetite e de função sexual também fazem parte da sintomatologia desse transtorno.

As causas da depressão são consideradas multifatoriais por advirem de uma complexa interação entre fatores genéticos, ambientais e de desenvolvimento.

O tratamento contempla a psicoterapia e em alguns casos o uso de antidepressivos (indicados por médicos psiquiatras). Na terapia o foco inicial é na redução de sintomas, retomada e\ou construção de um novo repertório de atividades de interesse. Na abordagem da Terapia Cognitivo-Comportamental, buscamos identificar os pensamentos inflexíveis e distorcidos, trabalhar a ativação de comportamentos mais adaptativos e ampliar a capacidade de resolução de problemas do indivíduo.

 

Fonte: Livro Neurobiologia dos Transtornos Mentais, de Marcus L. Breandão e Frederico G. Graef. Editora Atheneu. São Paulo, 2014.

Você já ouviu falar em ruminação? Se não ouviu, provavelmente já experimentou.

É um processo natural, todos ruminamos quando o humor está deprimido e em algumas patologias, como na depressão, ela pode acarretar um grande sofrimento psíquico.

O processo de ruminação ocorre através de pensamentos negativos que se apresentam de forma persistente. Eles são marcados por serem inflexíveis e por girar em torno de um tema comum. Surgem independente de circunstâncias ambientais e não são direcionados a um objetivo ou à resolução de problemas, sendo assim demasiadamente improdutivos.

Alguns exemplos: “Por que sempre erro?”; “Por que sempre reajo assim?”; “Por que não lido bem com tal situação?”.

As consequências desse processo a médio e longo prazo são as seguintes: diminuição da capacidade de resolução de problemas, rebaixamento da motivação, diminuição da concentração e da capacidade de raciocínio,  inibição comportamental, aumento de conflitos e isolamento. Essas consequências geram um impacto importante no estado emocional do indivíduo o que pode desenvolver ou agravar quadros de depressão.

Como podemos tratar? Tendo em vista o possível quadro de depressão que leva à manifestação do processo ruminativo, o foco na psicoterapia será a flexibilização dos pensamentos negativos e consequentemente das crenças em torno desses pensamentos. Como processo final,  teremos o aumento da habilidade de resolução de problemas e a construção de novos pensamentos e crenças, o que resultará ao indivíduo, um aumento na percepção de sua autoeficácia e melhor relacionamento no seu ambiente de convívio.

 

Fonte: A contribuição do autocriticismo e da ruminação para o afeto negativo, de Vânia Amaral, Paula Castilho e José P. Gouveia. Revista Psychologia (52-II), páginas 271-292, Imprensa da Universidade de Coimbra, Portugal, 2010.